Enquanto Maurício Helpis defende que a eleição seguiu o Regimento Interno, Luiz Eduardo adota postura institucional e Johny Guerra Gai afirma que a discussão não interfere no trabalho da Câmara
A ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a eleição antecipada da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Coxim para o biênio 2027-2028 continua repercutindo entre os vereadores. Apesar do debate jurídico, parlamentares ouvidos pela Folha Publicitária defendem que os trabalhos do Legislativo devem permanecer voltados às pautas de interesse da população.
O presidente eleito da Câmara para o biênio 2027-2028, vereador Maurício Helpis, foi o primeiro a tornar pública a existência da ação. Durante entrevista concedida nesta semana, ele afirmou que a eleição realizada em outubro de 2025 respeitou integralmente o Regimento Interno da Casa.
Segundo Maurício, a antecipação da eleição ocorreu após requerimento assinado por sete vereadores, conforme previa o Regimento Interno vigente à época, e todo o processo eleitoral foi conduzido dentro das normas estabelecidas pelo Legislativo Municipal.
A ação foi apresentada pelos vereadores Abílio Vanelli e Marcio Souza, que pedem ao STF a anulação da eleição. Na petição, eles sustentam que, embora a votação tenha seguido as regras internas da Câmara, o procedimento não observou o entendimento mais recente da Suprema Corte sobre o momento adequado para a escolha das Mesas Diretoras. O processo ainda aguarda análise e, até o momento, não há decisão do STF sobre o caso.
Postura institucional
Procurado pela reportagem, o presidente da Câmara Municipal, vereador Luiz Eduardo, informou que ainda não foi oficialmente intimado nem teve acesso ao conteúdo integral da ação.
Segundo ele, qualquer manifestação sobre o mérito do processo somente será feita após o conhecimento dos autos.
"Até o momento, na condição de presidente da Câmara Municipal, não fui oficialmente intimado nem tive acesso ao conteúdo integral da ação. Por essa razão, acredito que não seria prudente fazer qualquer manifestação ou emitir opinião sem conhecer todos os fatos e fundamentos que constam no processo."
Luiz Eduardo acrescentou que, independentemente da discussão judicial, a Câmara segue exercendo normalmente suas funções.
"Tenho muito respeito pelas instituições e entendo que qualquer posicionamento deve ser feito com responsabilidade, após a devida ciência dos autos. Enquanto isso, a Câmara Municipal segue funcionando normalmente, cumprindo seu papel de legislar, fiscalizar e trabalhar pelos interesses da população de Coxim. Nosso foco continua sendo as pautas que impactam diretamente a vida das pessoas e o desenvolvimento do nosso município."
Debate político
Também ouvido pela reportagem, o vereador Johny Guerra Gai afirmou que considera importantes as discussões políticas e entende que elas fazem parte da atividade parlamentar.
"Toda e qualquer discussão política é importante, e deve ser enfrentada, a qualquer tempo."
Questionado sobre a possibilidade de uma nova eleição caso o STF acolha a ação, Johny afirmou que somente irá tratar dessa hipótese se houver uma decisão da Suprema Corte nesse sentido.
"Caso o STF determine uma nova eleição, só assim pensarei no assunto, avaliando o caso e conversando com os demais parlamentares."
O vereador também avaliou que o debate não interfere na atuação cotidiana da Câmara Municipal.
"Entendo que é uma discussão legítima, que pode até não fortalecer a união entre os vereadores na Câmara, mas a disputa de poder é inerente à atividade política, uma vez que situações idênticas estão ocorrendo em inúmeras câmaras de vereadores no Brasil inteiro. Além do mais, essa discussão não atrapalha em nada a atuação parlamentar de todos os vereadores, que estão sempre buscando atender os interesses da população nas áreas de infraestrutura, educação, saúde etc."
Enquanto o STF não analisa a ação, a Câmara Municipal de Coxim continua funcionando normalmente, mantendo a votação de projetos, a fiscalização do Poder Executivo e a discussão de temas considerados prioritários para o município.



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