Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao acessar o site, você concorda com a política de utilização de cookies.

PT de MS deixa de lançar candidatura federal de mulher negra e travesti, e Emy Santos denuncia
PT de MS deixa de lançar candidatura federal de mulher negra e travesti, e Emy Santos denuncia "pacto branco e cisgênero"

Após ficar fora da chapa para deputada federal, militante afirma que partido ignorou mobilização de mais de mil apoiadores e questiona espaço destinado à representatividade negra e LGBTQIAPN+ na política sul-mato-grossense

A decisão do Partido dos Trabalhadores (PT) de Mato Grosso do Sul sobre a composição da chapa de candidatos à Câmara dos Deputados provocou forte reação da militante Emy Santos. Em vídeo e publicação nas redes sociais, ela afirmou que o partido deixou de lançar uma candidatura federal de uma mulher negra e travesti, classificando a escolha como uma derrota para a representatividade política no Estado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em um desabafo emocionado, Emy disse que a disputa nunca foi apenas um projeto pessoal, mas uma construção coletiva, fruto da mobilização de apoiadores que acreditavam na possibilidade de ampliar a representatividade dentro do partido.

"Como eu vou encontrar essas pessoas e dizer que não vai ter? Que a nossa candidatura não foi escolhida? Eu estou assustada. Mas isso nunca foi só por mim. É por todas as pessoas que eu represento", declarou.

Na publicação, a militante afirma que o PT de Mato Grosso do Sul "perdeu a chance de ter uma candidata a deputada federal negra e travesti" e que a decisão também representa uma derrota para milhares de pessoas que esperavam se ver representadas na disputa eleitoral.

"Perdemos a chance de ter uma candidata a deputada federal negra e travesti. Perdemos a chance de votar em alguém que, de fato, nos representa. Perdemos: sim, todas nós."

Em outro trecho do texto, Emy faz uma crítica direta ao processo interno de definição das candidaturas e afirma que sua pré-candidatura esbarrou em barreiras estruturais dentro da própria legenda.

"Sabíamos, sim, que essa candidatura seria difícil, mas, agora, o que nos apresenta é algo diferente: parece ser impossível furar o pacto branco e cisgênero."

Segundo Emy, sua pré-candidatura recebeu mais de mil manifestações de apoio em poucos dias. Ainda assim, ela afirma que a mobilização não foi suficiente para garantir espaço na chapa federal.

"O Partido dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul escolheu ignorar mais de 1.000 apoios recebidos em poucos dias, mais de mil pessoas que reivindicam a necessidade de uma candidatura como a nossa."

No vídeo divulgado nas redes sociais, a militante também afirma que fez todos os esforços para construir o projeto político e lamenta que, apesar da mobilização, outra decisão tenha sido tomada pelo partido.

"Mesmo com toda essa organização, com toda a nossa história de trabalho, eles não escolheram a nossa candidatura. Estão privilegiando outras candidaturas em vez da nossa."

Ao longo da publicação, Emy reforça que a candidatura representava uma pauta coletiva e cita nomes de pessoas negras e trans como símbolo da luta por espaço político e representatividade. Segundo ela, o projeto não se limitava à sua trajetória individual, mas à possibilidade de ampliar a participação de grupos historicamente sub-representados na política institucional.

"O quão branco precisa ser um sonho? O quão cisgênero uma candidatura precisa ser?", questionou.

Apesar da frustração, a militante afirma que continuará atuando politicamente e encerra a mensagem dizendo que a luta por representatividade seguirá organizada.

"Perdemos todas, mas o sonho continua: planejando novos horizontes, organizando nossas raivas. Jamais farão política sem nós novamente."

A direção estadual do Partido dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul ainda não se posicionou para comentar as declarações de Emy Santos, especialmente sobre os critérios adotados para a definição da chapa de candidatos a deputado federal e as críticas relacionadas à representatividade. O espaço permanece aberto para posicionamento do partido.

Notícias Relacionadas

Comentários