A possível intervenção no transporte coletivo de Campo Grande, que deverá ser decidida pela prefeita Adriane Lopes até a próxima sexta-feira (12), tem um histórico que antecede os trabalhos da comissão criada pela Prefeitura. Entre os fatos que ajudaram a colocar o tema no centro do debate está uma ação popular apresentada por Lucas Gabriel de Sousa Queiroz Batista, conhecido como Luso Queiroz.

Em dezembro de 2025, a Justiça determinou a intervenção no Consórcio Guaicurus após analisar uma ação popular protocolada por Luso. Na ocasião, o então autor da ação apontou uma série de supostas irregularidades relacionadas ao cumprimento do contrato do transporte coletivo da Capital.
Entre os problemas citados estavam alegações de frota sucateada, falhas na manutenção preventiva e corretiva dos veículos, ausência de seguros obrigatórios e questionamentos sobre a gestão financeira de empresas que integram o consórcio.
A decisão foi proferida pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, que entendeu haver elementos suficientes para determinar a intervenção.
Meses depois, em março de 2026, a Prefeitura de Campo Grande instituiu um grupo de trabalho para avaliar a situação da concessionária responsável pelo transporte coletivo. Após análises técnicas e administrativas, a comissão concluiu seus trabalhos recomendando a intervenção no contrato e a nomeação de um interventor.
O relatório final aponta mais de 15 mil ocorrências relacionadas ao descumprimento de horários e omissões de viagens registradas pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran). O documento também destaca o aumento nos índices de reprovação das inspeções de segurança veicular, que passaram de 5,4% em 2020 para 18,6% em 2025.
Agora, a decisão final está nas mãos da prefeita Adriane Lopes, que deverá anunciar até sexta-feira se seguirá ou não a recomendação da comissão.
Além da ação popular apresentada por Luso Queiroz e da análise realizada pela Prefeitura, o Consórcio Guaicurus também foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Campo Grande. O relatório da CPI apontou irregularidades na execução do contrato e motivou a abertura de um inquérito civil pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
Com a recomendação formal da comissão especial e a expectativa pela decisão da Prefeitura, o futuro da concessão do transporte coletivo da Capital volta a ocupar o centro das discussões sobre mobilidade urbana e qualidade dos serviços prestados à população.


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