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Homenagens, assessores e investigações: os vínculos de Flávio Bolsonaro com personagens do universo das milícias
Homenagens, assessores e investigações: os vínculos de Flávio Bolsonaro com personagens do universo das milícias


As ligações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro com grupos milicianos do Rio de Janeiro voltaram ao centro do debate público nos últimos anos após uma série de investigações, reportagens e documentos revelarem relações entre seu gabinete, assessores próximos e pessoas apontadas pelas autoridades como integrantes ou líderes de organizações criminosas.

Embora não exista condenação judicial que aponte Flávio Bolsonaro como integrante de milícia, os vínculos entre figuras de seu círculo político e o ex-capitão da Polícia Militar Adriano da Nóbrega permanecem entre os episódios mais controversos de sua trajetória pública.

O caso mais conhecido envolve Adriano da Nóbrega, ex-integrante do Bope que posteriormente passou a ser apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como liderança da milícia de Rio das Pedras e do grupo conhecido como Escritório do Crime.

Quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Flávio Bolsonaro concedeu homenagens a Adriano. Em 2005, o então parlamentar entregou ao ex-PM a Medalha Tiradentes, principal honraria do Legislativo fluminense. A homenagem ocorreu enquanto Adriano respondia a acusações criminais e estava preso preventivamente. Anos depois, Jair Bolsonaro afirmou que uma das homenagens feitas ao ex-capitão ocorreu por sua indicação.

Além das homenagens, familiares de Adriano da Nóbrega ocuparam cargos no gabinete de Flávio Bolsonaro. A mãe do ex-policial, Raimunda Veras Magalhães, e sua então esposa, Danielle Mendonça da Costa Nóbrega, foram nomeadas como assessoras e permaneceram vinculadas ao gabinete durante anos.

As nomeações ganharam repercussão nacional quando investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre o chamado esquema das "rachadinhas" apontaram movimentações financeiras envolvendo familiares de Adriano e Fabrício Queiroz, policial militar aposentado e ex-assessor de confiança de Flávio Bolsonaro. Segundo os investigadores, Danielle teria realizado repasses financeiros para Queiroz, parte deles por meio de contas ligadas a Adriano da Nóbrega.

Queiroz é considerado peça central nessa rede de relações. Ele próprio afirmou ter sido responsável pela indicação de familiares de Adriano para trabalhar no gabinete de Flávio. As investigações também identificaram contatos e movimentações financeiras envolvendo pessoas próximas ao ex-capitão e ao ex-assessor parlamentar.

Novos relatórios revelados em 2026 ainda apontaram que Queiroz recebeu recursos de uma empresa que, segundo o Ministério Público, teria sido utilizada para lavagem de dinheiro ligada à estrutura financeira de Adriano da Nóbrega. A transferência teria ocorrido em 2017, período em que Queiroz ainda atuava como chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

Ao longo dos anos, Flávio Bolsonaro negou qualquer ligação com milícias e afirmou que as homenagens ocorreram em um contexto no qual Adriano era visto por setores da segurança pública como um policial de destaque. O senador também sustenta que nunca participou de esquemas ilegais e que não tinha conhecimento das atividades criminosas atribuídas posteriormente ao ex-capitão.

Apesar da ausência de condenação judicial contra o senador por envolvimento com organizações milicianas, os episódios envolvendo Adriano da Nóbrega, Fabrício Queiroz e familiares ligados ao ex-capitão continuam sendo citados por investigadores, analistas políticos e adversários como elementos que ajudam a explicar por que o nome de Flávio Bolsonaro permanece frequentemente associado ao debate sobre a influência das milícias na política do Rio de Janeiro.

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