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De R$ 35 para R$ 450: reajuste da Cassems preocupa famílias de servidores em Mato Grosso do Sul Ricardo Ayache presidente da CASSEMS
De R$ 35 para R$ 450: reajuste da Cassems preocupa famílias de servidores em Mato Grosso do Sul

Entidade eleva contribuição de cônjuges dependentes em mais de 1.180% e atribui medida a déficit atuarial de R$ 189 milhões; beneficiários questionam impacto financeiro e ausência de transição gradual

A decisão da Cassems de elevar de R$ 35 para R$ 450 a contribuição mensal de cônjuges dependentes provocou forte reação entre servidores públicos estaduais e familiares em Mato Grosso do Sul.

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O reajuste, superior a 1.180%, foi comunicado oficialmente pela entidade, que atribui a medida ao chamado “desequilíbrio atuarial” registrado nos custos da assistência médica desse grupo de beneficiários.

Segundo a própria Cassems, nos últimos 12 meses os cônjuges dependentes arrecadaram cerca de R$ 61 milhões, enquanto as despesas médicas ultrapassaram R$ 250 milhões, gerando um déficit estimado em R$ 189 milhões.

Embora a entidade sustente que o reajuste é necessário para preservar a sustentabilidade financeira do sistema, o impacto imediato da medida preocupa famílias de servidores, principalmente aposentados e pensionistas.

Na prática, uma despesa anual que anteriormente girava em torno de R$ 420 passará para R$ 5,4 mil por dependente.

Entre os principais questionamentos levantados por beneficiários está a ausência de uma transição gradual para absorção do novo valor.

Servidores ouvidos pela reportagem relatam preocupação com o orçamento familiar e afirmam que parte dos usuários poderá ser forçada a deixar o plano diante da elevação abrupta da mensalidade.

Na comunicação enviada aos beneficiários, a Cassems afirma que o aumento dos custos na saúde suplementar ocorre em cenário nacional e cita fatores como:

inflação médica;
envelhecimento populacional;
aumento da utilização do plano;
crescimento de terapias de alto custo;
judicialização da saúde;
e expansão de atendimentos multidisciplinares relacionados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A entidade informou ainda que somente os custos relacionados a terapias multidisciplinares ligadas ao TEA teriam alcançado aproximadamente R$ 94,9 milhões em 2025.

A Cassems também afirma que não haverá reajuste para os servidores titulares nem alteração nas contribuições dos filhos dependentes.

Usuários ouvidos pela reportagem avaliam, entretanto, que a principal discussão não está apenas na necessidade de equilíbrio financeiro do sistema, mas na forma como o reajuste foi implementado.

Entre os questionamentos levantados estão:

por que o déficit chegou a esse patamar;
se houve planejamento prévio para evitar aumento abrupto;
e se alternativas intermediárias, como escalonamento gradual, chegaram a ser discutidas.

A medida também reacendeu o debate sobre transparência atuarial e sustentabilidade dos modelos de assistência voltados ao funcionalismo público.

Até o momento, a Cassems mantém a decisão e orienta os beneficiários sobre os novos formatos de cobrança.

Entidades representativas de servidores acompanham a repercussão da medida, enquanto beneficiários avaliam possíveis mobilizações e questionamentos administrativos ou judiciais. A Folha Publicitária seguirá acompanhando os próximos desdobramentos.

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