Entidade é alvo de inquérito sobre contratos milionários e vê espaço político encolher enquanto articulações avançam nos bastidores do governo estadual
Em meio a investigações sobre contratos e questionamentos envolvendo recursos públicos, a FIEMS passou a intensificar sua atuação nos bastidores políticos e já influencia discussões estratégicas dentro do grupo do governador Eduardo Riedel, especialmente na definição da chapa para as eleições de outubro.

Lideranças ligadas à federação têm direcionado esforços para interferir em um dos poucos pontos considerados pacificados dentro da base governista: a escolha do candidato a vice. Até então, o nome do atual vice-governador, José Carlos Barbosa (Barbosinha), era tratado como consenso entre os aliados, sem resistência interna significativa.
O cenário, no entanto, começou a mudar diante da insatisfação de setores da indústria com a perda de espaço político. O principal ponto de tensão envolve o futuro do secretário Jaime Verruck, que não conseguiu viabilizar sua candidatura ao Senado e, posteriormente, passou a enfrentar dificuldades em sua tentativa de disputar uma vaga na Câmara Federal.
Nos bastidores, a avaliação é de que a redução de protagonismo de Verruck impactou diretamente o peso político da federação dentro da composição governista, o que teria motivado uma tentativa de reposicionamento — agora voltada à influência na formação da chapa majoritária.
Investigação em andamento
Paralelamente às movimentações políticas, a FIEMS também é alvo de um inquérito civil conduzido pela 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande.
A investigação apura possíveis irregularidades em contratos firmados por entidades do Sistema S vinculadas à federação, como SESI e SENAI, com duas empresas fornecedoras. Somados, os valores analisados ultrapassam R$ 1,9 milhão, envolvendo fornecimento de materiais diversos, incluindo itens de escritório e componentes elétricos.
Até o momento, não há conclusão sobre eventuais irregularidades, e o procedimento segue em fase de apuração.
Convênio sob questionamento
Outro ponto que ampliou a pressão sobre a entidade foi um convênio de aproximadamente R$ 7 milhões firmado com o governo estadual, cuja execução está ligada à realização de estudos técnicos e de mercado.
O repasse motivou questionamentos no meio político, com deputados cobrando esclarecimentos sobre os critérios e a destinação dos recursos. A expectativa é de que representantes do governo prestem informações à Assembleia Legislativa nos próximos dias.
Entre a política e a institucionalidade
A sobreposição entre o avanço das articulações políticas e o aumento das cobranças institucionais coloca a FIEMS no centro de um cenário sensível, em que interesses políticos, gestão de recursos e influência na estrutura de poder passam a ser observados com maior atenção.



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