Inflação e perda de renda levam população a substituir itens tradicionais por opções mais baratas
A combinação de inflação persistente, perda de poder de compra e retração econômica tem alterado o cotidiano da população na Argentina. Dados do INDEC indicam que a inflação acumulada em 12 meses chegou a 32,6%, enquanto o desemprego atingiu 7,5% no fim de 2025.

No dia a dia, os efeitos já são perceptíveis. O consumo de carne bovina tradicional na cultura argentina caiu ao menor nível em duas décadas, segundo entidades do setor. Com os preços em alta, consumidores têm buscado alternativas mais acessíveis, como frango, carne suína e pescado. Em algumas regiões do país, casos pontuais de comercialização de outras carnes ganharam repercussão e chamaram atenção para a mudança nos hábitos alimentares.
Além do impacto no consumo, a atividade econômica também dá sinais de retração. Levantamentos baseados em dados oficiais e de consultorias apontam que milhares de empresas encerraram atividades desde o fim de 2023, com reflexos no mercado de trabalho formal. Parte dos trabalhadores migrou para a informalidade ou passou a acumular mais de uma ocupação para complementar a renda.
A renda também foi afetada. Entre aposentados e servidores públicos, entidades de classe indicam perda de poder de compra nos últimos dois anos, em um cenário de ajuste fiscal e redução de subsídios. Segundo a Anistia Internacional, grupos mais vulneráveis estão entre os mais impactados pelas mudanças econômicas recentes.
O governo do presidente Javier Milei defende que as medidas adotadas são necessárias para reorganizar a economia e controlar a inflação, que chegou a níveis superiores a 200% ao ano no período anterior. A gestão argumenta que o atual momento representa uma fase de transição após anos de desequilíbrios fiscais.
Embora haja sinais de desaceleração inflacionária em relação ao período anterior, o ajuste econômico tem efeitos no curto prazo, especialmente sobre renda e emprego. O cenário também tem gerado tensões sociais, com registros de manifestações em diferentes regiões do país.
No campo político, o contexto é de polarização. Pesquisas recentes indicam divisão na avaliação do governo, refletindo um ambiente de incerteza sobre os próximos passos da economia argentina.


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