O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados deve votar na próxima semana relatórios que propõem a suspensão do mandato do deputado federal Marcos Pollon (PL). As medidas podem resultar no afastamento temporário do parlamentar, com perda de salário, estrutura de gabinete e equipe durante o período de vigência da penalidade.
As propostas foram apresentadas por relatores do colegiado após análise de episódios envolvendo o parlamentar. O deputado Moses Rodrigues (União-CE) sugeriu suspensão de dois meses relacionada a um protesto ocorrido nas dependências da Câmara, enquanto o deputado Ricardo Maia (MDB-BA) apresentou parecer pela suspensão por 90 dias por quebra de decoro parlamentar.
Segundo o relatório, a segunda recomendação considera declarações feitas por Pollon durante manifestação realizada em 2023, em Campo Grande, nas quais houve ofensas dirigidas ao então presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). As falas foram registradas publicamente e integram a análise do Conselho.
A votação dos pareceres foi adiada após pedido de vista e deve ocorrer na próxima sessão do colegiado. Caso aprovadas, as medidas ainda precisarão passar pelo plenário da Câmara dos Deputados para terem validade.
Possível reflexo eleitoral
Se confirmada, a suspensão pode coincidir com o período de pré-campanha e campanha eleitoral deste ano, já que a eventual aplicação da penalidade pode se estender por meses. Nesse cenário, o parlamentar ficaria temporariamente afastado das atividades legislativas e da estrutura institucional do mandato.
Contexto político
O nome de Pollon tem sido citado em articulações políticas recentes relacionadas à disputa ao Senado. Em fevereiro, veio a público uma anotação atribuída ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), posteriormente contestada, envolvendo tratativas políticas. À época, o próprio senador afirmou que a informação não correspondia aos fatos e saiu em defesa do deputado.
Além disso, manifestações públicas de lideranças políticas, como Michelle Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro, também mencionaram o nome de Pollon no cenário eleitoral em Mato Grosso do Sul. Já o ex-governador Reinaldo Azambuja segue como outro nome citado nas discussões internas.
Defesa
Durante a sessão, Pollon afirmou que suas posições estão relacionadas à defesa de pautas políticas e negou irregularidades. O parlamentar também criticou decisões do Judiciário e reiterou posicionamentos já manifestados publicamente.
Após a repercussão de informações recentes, a assessoria jurídica do deputado entrou em contato com veículos de imprensa solicitando ajustes na forma de apresentação de determinados episódios, especialmente aqueles relacionados a registros de bastidores políticos.



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