Com 11 feminicídios e 38 tentativas em 2026, sequência de crimes pressiona poder público por respostas mais eficazes
Mato Grosso do Sul registrou, em um intervalo de apenas três dias, seis casos graves de violência contra mulheres, incluindo mortes, tentativas de feminicídio e agressões em Campo Grande e no interior do Estado. A sequência de ocorrências, entre domingo (12) e terça-feira (14), acende um alerta sobre a capacidade de prevenção e resposta diante desse tipo de crime.

Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que, somente em 2026, já são 11 feminicídios sob investigação e outras 38 tentativas no Estado. Os números reforçam que a violência contra a mulher segue como um problema estrutural, que vai além de episódios isolados.
Entre os casos registrados, duas mulheres foram mortas e outras quatro sofreram ataques graves, mas sobreviveram. Em uma das ocorrências, na Capital, uma jovem de 25 anos foi atacada pelo ex-companheiro ao retornar do trabalho durante a noite. O agressor, que estava escondido, desferiu golpes com faca e agrediu a vítima, que conseguiu fugir e pedir ajuda.
Em outro caso, também em Campo Grande, uma mulher de 47 anos escapou após pular o muro da própria casa depois de ser alvo de disparos feitos pelo marido. Já na BR-163, a morte de uma arquiteta de 53 anos é investigada como feminicídio, após ela cair de um veículo em movimento conduzido pelo companheiro.
Casos no interior também chamam atenção pela gravidade. Em Eldorado, uma mulher foi morta a tiros pelo ex-companheiro, que tirou a própria vida em seguida, na frente da filha do casal. Em Água Clara, uma mulher foi atropelada pelo companheiro após uma discussão e segue em estado grave.
Para especialistas, os episódios recentes evidenciam um padrão recorrente nesse tipo de crime: a escalada da violência dentro de relações marcadas por controle e agressões sucessivas.
A psicóloga Rafaelle Bonfim, da Casa da Mulher Brasileira, explica que, na maioria das situações, o feminicídio não é um fato isolado, mas o desfecho de um ciclo contínuo de violência.
“A morte não é o primeiro episódio. Há sinais anteriores que precisam ser identificados e interrompidos. Por isso, é fundamental que a mulher busque ajuda e que a rede de proteção funcione de forma eficaz”, destaca.
Diante do cenário, cresce a pressão por medidas mais efetivas de prevenção. Especialistas apontam que o enfrentamento à violência contra a mulher não deve se limitar à resposta após o crime, mas exige atuação antecipada, com políticas públicas capazes de identificar riscos, garantir proteção e interromper o ciclo de agressões.
A sucessão de casos em um curto período reforça a necessidade de avaliação sobre a eficácia das ações atualmente adotadas e a estrutura disponível para atendimento às vítimas, especialmente em situações onde já há histórico de violência.



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