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Deputados do PL se mobilizam contra projeto de proteção às mulheres aprovado no Senado Líder do PL Sóstenes Cavalcante
Deputados do PL se mobilizam contra projeto de proteção às mulheres aprovado no Senado

Proposta que criminaliza misoginia enfrenta resistência de parlamentares da direita

A aprovação, por unanimidade, do projeto de lei que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito e discriminação no Brasil provocou reações imediatas entre parlamentares, especialmente da ala conservadora. A proposta agora segue para análise da Câmara dos Deputados.

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De autoria da senadora Ana Paula Lobato e relatada por Soraya Thronicke, o texto amplia a legislação já existente ao equiparar atos de ódio contra mulheres aos crimes previstos na Lei do Racismo.

Na prática, o projeto define como crime condutas que expressem ódio, discriminação ou preconceito contra mulheres, com pena prevista de dois a cinco anos de prisão, além de multa. A proposta também estabelece que esses crimes sejam inafiançáveis e imprescritíveis.

O que muda com a proposta

Pelo texto aprovado, passam a ser enquadradas como crime:

Ofensas e injúrias motivadas por gênero
Incitação à violência ou discriminação contra mulheres
Práticas que exponham mulheres à humilhação ou constrangimento

Além disso, a pena pode ser agravada quando o crime ocorrer em contexto de violência doméstica.

Segundo a relatora, Soraya Thronicke, a proposta responde a uma realidade crescente. “O ódio às mulheres não é abstrato, é estrutural e tem consequências reais”, afirmou durante a votação.

Apoio no Senado e reação na direita

Apesar da aprovação unânime incluindo votos favoráveis de parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro — o projeto passou a ser alvo de críticas logo após avançar.

O deputado Nikolas Ferreira classificou a proposta como “subjetiva” e afirmou que trabalhará para barrar o texto na Câmara. Segundo ele, há risco de que a lei seja utilizada para restringir opiniões.

Na mesma linha, a deputada Bia Kicis afirmou que o projeto pode gerar divisão social, enquanto a deputada Júlia Zanatta apontou risco de censura.

Já o deputado Eduardo Bolsonaro criticou o que chamou de avanço de pautas ideológicas, defendendo que conceitos ligados ao feminismo não devem orientar a legislação penal.

Liberdade de expressão entra no centro do debate

Um dos principais pontos levantados por críticos é o possível conflito com a Liberdade de expressão.

Durante a tramitação no Senado, houve tentativa de incluir uma emenda que protegeria manifestações de natureza artística, religiosa e acadêmica quando não houvesse intenção discriminatória. A proposta, no entanto, não foi aprovada.

O episódio ampliou o debate sobre os limites entre opinião e discurso de ódio — uma discussão que deve ganhar força na Câmara.

Defesa do projeto e contexto de violência

A autora do texto, Ana Paula Lobato, citou ameaças recebidas nas redes sociais como exemplo da necessidade da proposta.

“Se esse tipo de ataque chega a uma senadora, imagine o que enfrentam mulheres sem qualquer proteção institucional”, afirmou.

Dados de violência e ataques virtuais contra mulheres têm sido usados como base para justificar o endurecimento da legislação, alinhando o Brasil a países que já adotaram medidas semelhantes.

Próximos passos

O projeto segue agora para análise da Câmara dos Deputados, onde deve enfrentar maior resistência.

A expectativa é de que o texto seja alvo de modificações, especialmente em pontos relacionados à definição de misoginia e às garantias de liberdade de expressão.

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