Pequim destina recursos ao Irã e reforça discurso por cessar-fogo, enquanto ofensiva dos Estados Unidos e de Israel amplia crise humanitária e deslocamento em massa
A China anunciou o envio de ajuda humanitária a países da Ásia Ocidental atingidos pela guerra, em declarações feitas nesta terça-feira (17), ao mesmo tempo em que intensificou seu discurso por cessar-fogo e estabilidade regional.

Em meio à ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel desde o fim de fevereiro, que já provocou milhares de mortes e milhões de deslocados, Pequim busca se projetar como voz pela contenção do conflito e pela retomada da paz, combinando assistência emergencial com atuação diplomática.
O governo chinês destinou US$ 200 mil em assistência humanitária emergencial à Sociedade do Crescente Vermelho do Irã, com foco nas famílias das meninas assassinadas no ataque assassino dos Estados Unidos a escola primária em Minab, na província de Hormozgan, no sul do país.
A medida foi anunciada pelo porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, como parte da resposta de Pequim à deterioração das condições humanitárias na região.
Segundo o porta-voz, a iniciativa está inserida na diretriz de política externa chinesa que defende “uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade”. Lin Jian afirmou que os conflitos em curso têm causado “graves desastres humanitários” não apenas ao povo iraniano, mas também a outros países da Ásia Ocidental afetados pela escalada militar.
Na mesma declaração, o representante chinês afirmou que Pequim “continuará fazendo esforços para promover a paz e deter a guerra”, destacando a defesa do “rápido restabelecimento da paz e da estabilidade regionais” e a necessidade de evitar o agravamento da crise humanitária.
A ajuda anunciada ocorre em meio à ampliação dos impactos da guerra iniciada em 28 de fevereiro, que já atingem múltiplos países da região.
No Irã, mais de 1.300 pessoas foram mortas, incluindo o então líder supremo, aiatolá Ali Jamenei, enquanto entre 600 mil e um milhão de famílias foram deslocadas, afetando cerca de 3,2 milhões de pessoas, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Na capital, Teerã, 503 pessoas morreram e 5.700 ficaram feridas, de acordo com informações divulgadas por Mohammad Esmail Tavakoli, diretor dos Serviços de Emergência da província, à agência ISNA em 16 de março.
O impacto da ofensiva também se estende ao Líbano, onde, entre os dias 2 e 14 de março, ataques israelenses deixaram 826 mortos e 2.000 feridos, segundo o Ministério da Saúde Pública. O país também registrou a morte de 31 profissionais de saúde, o fechamento forçado de cinco hospitais e o deslocamento de mais de 830 mil pessoas.
Além da assistência direta ao Irã, a China tem ampliado sua atuação diplomática diante da escalada regional. Lin Jian também abordou as tensões entre Afeganistão e Paquistão, afirmando que o diálogo direto é “a única forma eficaz de resolver questões bilaterais” e defendendo a redução das tensões.
Pequim instou ambos os países a garantirem a segurança de pessoal, projetos e instituições chinesas em seus territórios, ao mesmo tempo em que reiterou que continuará atuando de forma construtiva para conter a instabilidade.
Dados da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (Unama) indicam que 185 civis foram atingidos entre 26 de janeiro e 5 de fevereiro na região de fronteira entre os dois países, sendo 56 mortos e 129 feridos em ataques aéreos e fogo indireto. Mais da metade das vítimas, 55%, eram mulheres e crianças.
No mesmo pronunciamento, o porta-voz chinês confirmou que Pequim mantém comunicações com os Estados Unidos para definir a data de uma possível visita do presidente Donald Trump à China. Segundo ele, os dois países seguem em diálogo ativo sobre os detalhes e a agenda do encontro.
Fonte: Vermelho



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