Parlamentar cita sobrecarga de profissionais da saúde, aumento de doenças e lentidão em obras que deveriam atender cerca de 30 mil indígenas
Durante sessão realizada nesta terça-feira (17), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), a deputada estadual Gleice Jane (PT) utilizou a tribuna para defender a redução da jornada de trabalho da enfermagem e cobrar providências diante de problemas estruturais que impactam diretamente a saúde pública em Dourados.
Um dos principais pontos abordados foi a tramitação da PEC 19/2024, que prevê a fixação do piso salarial nacional da enfermagem com jornada máxima de 30 horas semanais e reajuste anual. A proposta está em análise no Senado e integra a pauta da mobilização nacional da categoria em Brasília.
A parlamentar encaminhou indicação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro da Saúde Alexandre Padilha, solicitando articulação política para o avanço da proposta.
Ao defender a medida, Gleice destacou a importância dos profissionais da enfermagem e relatou uma experiência pessoal durante internação por Síndrome de Guillain-Barré. Segundo ela, a categoria é responsável pelo cuidado direto com os pacientes e enfrenta uma rotina marcada por sobrecarga e jornadas extensas.
“É comum encontrar profissionais com dois ou mais vínculos, que não conseguem sequer conviver com a família devido à carga de trabalho”, afirmou.
Doenças em alta e alerta nas aldeias
A deputada também chamou atenção para o cenário preocupante em Dourados, com o aumento de casos de dengue e chikungunya, inclusive em comunidades indígenas. De acordo com informações citadas na tribuna, já são mais de 200 casos confirmados, além de relatos de óbitos.
Segundo Gleice, a situação está diretamente ligada à precariedade no saneamento básico. A ausência de abastecimento regular de água obriga moradores a armazenarem água de forma improvisada, criando ambiente propício para a proliferação do mosquito transmissor.
Obras anunciadas ainda não avançaram
Outro ponto de crítica foi a demora na execução de obras de saneamento nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados. Apesar do anúncio de investimento superior a R$ 50 milhões por parte da empresa Sanesul, os trabalhos ainda não avançaram no ritmo esperado.
O projeto prevê a perfuração de poços, construção de reservatórios e cerca de 6 mil ligações de água, com potencial para atender aproximadamente 30 mil pessoas.
“É fundamental que essas obras saiam do papel. Estamos falando de saúde pública e dignidade para as comunidades indígenas”, declarou.
Cobrança por reforço nas equipes de saúde
Além das críticas à infraestrutura, a parlamentar também defendeu que prefeituras ampliem as equipes de saúde, com a convocação de profissionais aprovados em concursos públicos, como forma de fortalecer as ações de prevenção e combate às arboviroses.
O tema também dialoga com a mobilização nacional de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, que acompanham em Brasília a tramitação da PEC 14/2021, voltada à valorização dessas categorias.
Pressão política e impacto direto na população
A fala da deputada evidencia um cenário em que pautas nacionais, como a valorização da enfermagem, se cruzam com problemas locais urgentes, como o avanço de doenças e a falta de saneamento básico.
Na prática, enquanto propostas seguem em debate no Congresso e obras aguardam avanço, comunidades seguem enfrentando desafios que impactam diretamente a saúde e a qualidade de vida da população.





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