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Ação de Luso Queiroz contra Consórcio Guaicurus ganha novo capítulo com parecer do MP
Ação de Luso Queiroz contra Consórcio Guaicurus ganha novo capítulo com parecer do MP

Ministério Público se manifesta favorável à continuidade do processo que discute possível intervenção no transporte coletivo de Campo Grande

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) se manifestou favorável à continuidade do processo que discute uma possível intervenção no Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande. A manifestação ocorreu durante análise de recurso apresentado pelo consórcio na tentativa de suspender a medida determinada pela Justiça.

O Consórcio Guaicurus recorreu à segunda instância para tentar impedir o andamento do processo de intervenção. No entanto, em parecer encaminhado ao Tribunal, o MPMS defendeu que a decisão judicial que autorizou a abertura do procedimento não configura intervenção imediata, mas sim uma medida destinada à apuração de eventuais irregularidades na execução do contrato de concessão.

Na manifestação, o procurador de Justiça Edgar Roberto Lemos de Miranda apontou que a análise do caso se baseia em questionamentos sobre a qualidade do serviço prestado à população.

“A prestação ineficiente do serviço de transporte público pode ser caracterizada como uma deficiência grave do serviço, o que autoriza a atuação excepcional do Judiciário. Portanto, não há que se falar em ofensa ao princípio da separação dos poderes”, registra trecho da manifestação citada no processo.

Origem da ação

O debate judicial teve início após o ingresso de uma ação popular na Justiça que questiona a execução do contrato de concessão do transporte coletivo da capital.

A ação foi apresentada pelo ex-candidato a prefeito de Campo Grande, Luso Queiroz, e tramita na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos.

Ao analisar o pedido inicial, o juiz responsável pelo caso entendeu haver indícios que justificariam a abertura de procedimento para apurar a execução do contrato administrativo firmado com o consórcio.

Na decisão liminar, o magistrado destacou que a eventual intervenção administrativa possui caráter investigatório e fiscalizatório, com o objetivo de verificar o cumprimento das obrigações previstas na concessão do serviço público.

Comissão criada pela prefeitura

Em cumprimento à decisão judicial, a Prefeitura de Campo Grande instituiu, no início de março, uma comissão especial destinada a analisar a execução do contrato de concessão do transporte coletivo.

O grupo terá a função de avaliar possíveis irregularidades e elaborar relatório técnico que poderá subsidiar eventual decisão administrativa sobre intervenção no sistema.

O Consórcio Guaicurus é responsável pela operação do transporte coletivo da capital e é formado pelas empresas Cidade Morena, Campo Grande, Jaguar e São Francisco.

Declaração nas redes sociais

Nas redes sociais, Luso Queiroz também afirmou ter acionado a Justiça para questionar medidas que, segundo ele, beneficiariam financeiramente o consórcio.

Em publicação recente, o ex-candidato afirmou considerar injustos benefícios que, de acordo com sua avaliação, poderiam chegar a cerca de R$ 40 milhões.

“Compreendendo ser injusto o Consórcio Guaicurus receber benefícios somados a 40 milhões de reais, entramos com liminar na Justiça para derrubar tais benevolências que não promovem retornos para a sociedade”, escreveu.

O processo segue em tramitação na Justiça, enquanto o recurso apresentado pelo consórcio aguarda análise na segunda instância.

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