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Alta da gasolina nos EUA pressiona Trump após início da guerra com Irã
Alta da gasolina nos EUA pressiona Trump após início da guerra com Irã

Preço médio sobe até 11% em uma semana após ataques dos EUA e Israel ao Irã; petróleo dispara e Trump minimiza impacto e afirma: “Se subir, subiu”

A guerra de agressão iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã já provoca efeitos diretos na economia norte-americana. Em uma semana, o preço médio da gasolina nos EUA subiu cerca de 11%, impulsionado pela disparada do petróleo e pelas tensões no Golfo Pérsico, por onde passa uma das principais rotas energéticas do mundo.

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Questionado sobre a alta nas bombas, o presidente Donald Trump afirmou que não está preocupado com o aumento e declarou que a operação militar é mais importante do que o preço do combustível.

“Eles vão cair rapidamente quando isso acabar, e se subir, subiu”, disse em entrevista à Reuters nesta quinta-feira (5).

Os preços do petróleo também dispararam nos mercados internacionais desde o início do conflito. Os contratos futuros do petróleo bruto, que refletem o preço esperado do combustível nos mercados internacionais, subiram mais de 16% desde o começo da ação imperialista.

A escalada militar atingiu diretamente a região do Golfo Pérsico, uma das áreas mais estratégicas para o abastecimento global de energia. Navios petroleiros passaram a enfrentar riscos crescentes na navegação pelo Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde transita mais de um quinto do petróleo transportado por via marítima no mundo.

Ataques e ameaças contra embarcações comerciais foram registrados na região, segundo monitores marítimos internacionais, alimentando a volatilidade do mercado e pressionando ainda mais os preços do petróleo e dos combustíveis.

Nos Estados Unidos, os efeitos já aparecem nas bombas. Dados da associação automobilística AAA indicam que o preço médio nacional da gasolina chegou a cerca de US$ 3,25 por galão, após subir mais de 25 centavos em apenas uma semana. O valor já supera o registrado no início do atual mandato de Trump.

O diesel, combustível essencial para o transporte de mercadorias, também registrou forte alta. O galão chegou a cerca de US$ 4,33, após alta de aproximadamente 40 centavos em uma semana, atingindo o nível mais elevado desde 2023. O aumento tende a pressionar custos logísticos e pode se refletir em novos reajustes de preços ao consumidor.

Especialistas em energia apontam que a instabilidade no Golfo tem impacto direto no mercado global de petróleo, independentemente de o produto ser ou não exportado diretamente pelo Irã. O risco para petroleiros e seguradoras na região pode reduzir o fluxo de navios e restringir o abastecimento internacional.

“Mesmo que o petróleo não venha diretamente do Irã, a dificuldade de petroleiros obterem seguro para atravessar aquela região pode interromper ou desacelerar o fluxo global de petróleo”, afirmou Josh Rhodes, pesquisador do Webber Energy Group da Universidade do Texas em Austin, em declaração ao New York Times.

A alta da energia também pode se espalhar por diversos setores da economia. Custos maiores de combustível tendem a afetar transporte, produção industrial e cadeias globais de suprimentos, além de elevar preços de passagens aéreas e de mercadorias.

A pressão econômica surge em um momento politicamente sensível para a Casa Branca. Os Estados Unidos se preparam para eleições de meio de mandato em novembro, quando estará em disputa o controle do Congresso.

À imprensa norte-americana, analistas políticos apontam que aumentos prolongados no preço da gasolina costumam ter forte impacto no humor do eleitorado norte-americano, especialmente em períodos de inflação elevada e custo de vida pressionado.

Nos bastidores, a Casa Branca já discute possíveis medidas para conter a alta da energia. Autoridades mantiveram conversas com executivos do setor petrolífero e avaliam alternativas para estabilizar os mercados.

Entre as opções discutidas estão incentivos ao transporte marítimo de petróleo no Golfo Pérsico, a possibilidade de escoltas navais para petroleiros no Estreito de Ormuz e mecanismos de seguro para embarcações que operam na região.

Outras medidas em análise incluem a suspensão temporária do imposto federal sobre a gasolina e a flexibilização de regras ambientais para combustíveis vendidos no verão, o que permitiria misturas maiores de etanol.

Trump, no entanto, descartou por enquanto recorrer à Reserva Estratégica de Petróleo — o maior estoque emergencial de petróleo bruto do mundo — para tentar conter os preços.

Apesar das turbulências no mercado, o governo aposta que o impacto da guerra sobre os preços da energia será temporário. Assessores da Casa Branca avaliam que o choque inicial nos mercados pode se dissipar caso o conflito não provoque uma interrupção prolongada no fluxo de petróleo da região.

Ainda assim, especialistas alertam que os desdobramentos da guerra permanecem imprevisíveis e que a instabilidade no Golfo Pérsico pode continuar pressionando os mercados energéticos nas próximas semanas.

Fote: Vermelho

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