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‘Já estamos devolvendo’, diz prefeito de Ivinhema sobre receber salários ilegalmente
‘Já estamos devolvendo’, diz prefeito de Ivinhema sobre receber salários ilegalmente

Investigação apura enriquecimento ilícito do prefeito por receber salário que estava suspenso pela Justiça

O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que está providenciando a devolução aos cofres públicos dos valores recebidos entre abril e agosto de 2025, período em que vigorava decisão judicial suspendendo o aumento salarial do chefe do Executivo, do vice-prefeito e do secretariado.

Segundo o gestor, a administração foi notificada a não efetuar a cobrança dos salários reajustados enquanto tramitava a ação judicial. Ele sustenta que não houve prática de crime e que os valores já estão sendo estornados à Prefeitura.

A declaração ocorre após reportagem do Jornal Midiamax informar a abertura de investigação pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para apurar possível enriquecimento ilícito relacionado ao recebimento dos subsídios.

De acordo com o órgão ministerial, a apuração teve início após o descumprimento de decisão judicial que suspendeu o reajuste do salário do prefeito, que passou de R$ 19 mil para R$ 35 mil por meio de lei municipal posteriormente derrubada. Embora a liminar tenha sido concedida em março de 2025, a determinação só teria sido efetivamente cumprida em setembro daquele ano, após intimação formal do procurador-geral do município.

A promotora responsável determinou a instauração de notícia de fato para investigar o recebimento dos valores. Como se trata de prefeito em exercício, a continuidade do procedimento depende de manifestação do procurador-geral de Justiça, Romão Milhan Avila Júnior, que já solicitou parecer técnico antes de deliberar.

Além do possível ato de improbidade, o MP aponta indícios de crime comum de desobediência, pelo não cumprimento da ordem judicial, e eventual violação da Lei de Crimes de Responsabilidade dos Prefeitos, que trata da realização de despesas não autorizadas por lei e do descumprimento de decisões judiciais sem justificativa.

Entenda o caso

A controvérsia teve início em 11 de março de 2025, quando o juiz Rodrigo Barbosa Sanches, da 1ª Vara de Ivinhema, acolheu ação popular e suspendeu o aumento salarial do prefeito, que havia sido reajustado de R$ 19.904 para R$ 35 mil. O reajuste também contemplava vice-prefeito, secretários, procurador e chefe de gabinete.

Na decisão liminar, o magistrado apontou a presença dos requisitos para concessão da tutela de urgência, destacando risco de dano ao erário, já que os novos subsídios estavam sendo pagos desde o início do ano. A ação argumentava que a lei foi sancionada a menos de seis meses do fim do mandato, em afronta à Lei de Responsabilidade Fiscal.

À época, Ferro se manifestou publicamente, classificando a decisão como injusta e defendendo que o salário estava defasado em comparação a gestores da região. Ele também alegou perseguição política e afirmou que a decisão judicial seria cumprida.

Mesmo após a suspensão, houve nova tentativa de votação de reajuste em 2026, com convocação de sessões extraordinárias na Câmara Municipal, que acabaram canceladas ou sem deliberação do projeto. Posteriormente, o prefeito divulgou vídeo rasgando o projeto de lei, sinalizando desistência do aumento.

Declarações e críticas à imprensa

No vídeo recente, além de anunciar a devolução dos valores, o prefeito também fez críticas a veículos de comunicação, afirmando que não haveria divulgação de “matérias positivas” sobre a gestão, como a licitação de R$ 63 milhões para obras de pavimentação em bairros e no distrito de Amandina.

Entretanto, registros anteriores indicam que a própria licitação já havia sido noticiada no início do ano.

O caso segue sob análise do Ministério Público e poderá resultar na abertura de procedimento investigatório formal, a depender da manifestação da Procuradoria-Geral de Justiça.

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